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Quando se enfrenta uma situação de emegência, seja ela um acidente, luta, combate em um teatro de guerra, um ataque inesperado, calamidades entre outras, nosso corpo muda. O cérebro libera enzimas, hormônios, adrenalina. Nossos músculos se tonificam e se enrijessem, nossa digestão pára. Nossas pupilas dilatam, nossas veias se contraem. Nossos olhos produzem o que chamamos de "visão de túnel" onde nossa atenção fica voltada apenas para o que consideramos o perigo imediato ou o agressor. Na verdade o nosso cérebro quer que fujamos! Não é natural  enfrentar o perigo. Qualquer animal foge do perigo, por mais feroz ou grande que ele seja, pois essa é a reação natural de sobrevivência. Um animal, sendo ele um leão ou um rato, torna-se extremamente violento e perigoso se acuado. Devemos sempre deixar uma brecha para que ele escape, pois ele irá preferir essa saída do que o confronto.

Com o ser humano as situações relatadas acima se pontencializam, pois temos discernimento e raciocínio e calculamos o risco de situações potencialente perigosas. Mais do que isto , nós seres humanos na verdade somos o único animal (racional) do reino que tem conciência da morte e de nossa eventual extinção física e, por isso, aprendemos a fazer a contagem do tempo, para saber o quanto dele nos resta. Os animais não tem consciência da vida e, portanto, também não sabem de sua transitoriedade nesse mundo. Serão eles mais felizes do que nós? Deixemos essa pergunta para os filósofos.

O que nos interessa aqui é saber que, para ir ao enconto do perigo, não necessitamos apenas de coragem e esta não é a ausência do medo. Para se ir ao encontro do desconhecido ou o ameaçador, além de coragem, precisamos de condicionamento mental e físico. Não só nossa mente é exigida, mas nosso corpo também sofre um desgaste enorme ao enfrentar situações perigosas. Para se ter uma idéia, nosso rendimento cai 50% durante um confronto, seja ele físico ou em um tiroteio. Por exemplo: se a arma de um policial tem vinte tiros, dez ele irá errar. Mas se seu adestraento está deficitário, isto é, menos de 100% de treino, esses índices vão diminuir cada vez mais.

Nós combatemos com a mente e não com o cérebro! Estar adestrado 100% e com a memória muscular bem condicionada é muito importante. Não podemos nos dar ao luxo de pensar durante um conflito, temos simplesmente que agir e os não adestrados simplesmente fugirão, pois essa reação é o apelo da sobrevivência. Quando um motorista experiente, com anos de prática, dirige o seu carro ele pensa no que está fazendo? Ele pensou um dia quando era um simples aprendiz de auto escola. Agora ele pensa em tudo, menos no ato de dirigir, pois a sua mente já assumiu o controle dessa tarefa. Portanto, no combate não é diferente.

Técnicas de controle de respiração para oxigenação adequada do cérebro e distração anti pânico são importantes, mas nada substituirá o condicionamento e adestramento. O autogerenciamento durante situações de confronto pontencializará essas ferramentas. 

Marcel Jacques - Professor Per-Cor de Combate com Facas, Instrutor de KMC   /  Ex-militar Consultor em Segurança.